sábado, 30 de abril de 2011

Uma Escola Diferente para que Todos se tornem iguais

Uma Escola Diferente para que Todos se tornem iguais

Marcelo era um menino que se sentia menina, vivia numa família classe média baixa e desde criança já demonstrava seus trejeitos bem femininos, era caçoado no colégio onde cursava o ensino fundamental, queria ser menina mas escondeu o desejo e seguiu em frente pois queria estudar e lá no início dos anos 90 era inimaginável uma travesti em um colégio particular em Belém do Pará. Marcelo seguiu em frente e se formou, anos depois em Publicidade e Propaganda, trabalhou na área mas continuava com aquele desejo.
Hoje, Marcelo é Symmy Larrat, ativista de uma ong que luta pelos direitos de Travestis e Transexuais, está a cada dia dando um passo a mais para a realização de seu desejo, mas continua com uma angústia: ela faz parte de uma triste estatística que revela que menos de 5% das travestis estão na escola e cerca de 90% ainda vivem na prostituição.
O quadro de preconceito é muito freqüente em escolas de todo o Brasil, quando a travesti assume sua identidade feminina ela passa a ser mais hostilizada entre os alunos e até mesmo dos próprios professores que deveriam educar, pois eles estão formando futuros cidadãos do nosso país, que segundo a constituição tem direito a educação indiferente da sua orientação sexual.
Quando a travesti é rejeitada em casa, alijada da escola e hostilizada na sociedade ela procura SOBREVIVÊNCIA nas esquinas, onde ao invés do lápis, do caderno e dos livros ela conhece o sexo como tábua de salvação aliado a marginalidade e às drogas, na maioria dos casos.
Essa rejeição começa, no caso da escola, logo na chamada, quando “Maria” é chamada de “João”. O Estopim da evasão de travestis é a questão do nome. No Pará, em 2008, essa realidade começou a mudar e contagiar outros estados do país numa corrente do bem em busca da inclusão de pessoas trans no ambiente escolar. Numa iniciativa corajosa o Governo do Estado, então chefiado por Ana Júlia Carepa, permitiu o uso do nome feminino --chamado de nome social-- de travestis e transexuais nas escolas.
Só isso não basta, mas é o início da mudança de uma escola excludente, para uma escola de todos. Ora, se Symmy Larrat tivesse sido chamada desde o início pelo nome que queria ser reconhecida, sua história seria diferente. E outras tantas amigas travestis de Larrat, mesmo tendo que trabalhar nas ruas para sobreviver podem se sentir mais à vontade para voltar a sala de aula.
A homossexualidade e a transexualidade são tratadas com toda carga de preconceito que a situação acarreta dentro da escola. Agressões verbais e físicas, ameaças e bulling são apenas alguns sinais da rotina de discriminação que sofrem os adolescentes homo/transsexuais por parte dos colegas de sala de aula e até de professores.
A escola tem sido o primeiro lugar onde os homossexuais mais sofrem preconceito. E não é só. Pesquisas feitas pela Unesco em 2006 ilustram a gravidade do preconceito nas escolas: uma delas, entre os alunos, descobriu que 40% dos meninos brasileiros não querem um colega homossexual sentado na carteira ao lado; outra, com professores, mostrou que 60% deles consideram "inadmissível" que uma pessoa mantenha relações com gente do mesmo sexo.
Iniciamos o debate para uma educação revolucionária que inclui, que defende o direito de todos ao acesso. Na contrapartida disso os números de  builing crescem assustadoramente, o que é óbvio, uma vez que a escola começa a receber e empoderar os “diferentes” haverá uma reação conservadora que temos que frear e combater através do debate de políticas públicas no âmbito da educação que permitam a inclusão social na escola.
O debate está apenas começando, mas é preciso coragem dos profissionais da educação em construir uma realidade fora do armário. 

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Saudações Homoafetivas e socialistas!
Symmy Larrat (91) 8313-2416
Conselheira do Conselho Estadual da Diversidade Sexual 
Ativista da ONG GRETTA - Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazõnia
Conselheira do GT de Implementação do Plano de Segurança e Combate a Homofobia da SEGUP

Denúncias de Homofobia (91) 3201-2729

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